terça-feira, 3 de setembro de 2013

O poder do tempo


      Um dia você vai estar sozinho, vai fechar os olhos e tudo estará negro. Os números da sua agenda passarão claramente na sua frente e você não terá nenhum numero mais pra discar. Sua boca vai tentar chamar alguém, mas não há ninguém solidário o bastante pra sair correndo e te dar um abraço, ou te colocar no colo e acariciar seus cabelos até que o mundo pare de girar. Nessa fração de segundos, quando seus pés se perderem do chão, você vai se lembrar da minha ternura e do meu sorriso infantil. Virão súbitas memórias dos meus abraços e beijos, da minha preoucupação com você, e só vão ter algumas musicas repetindo no seu rádio: as nossas. Em um novo momento, você vai sentir um aperto no peito, uma pausa na respiração e vai torcer bem forte pra ter nosso mundo delicioso de novo. O nome disso é saudade, aquilo que eu tinha tanto, e te falava sempre. E quando você finalmente discar meu numero, ele estará ocupado demais, ou nem será mais o mesmo, ou até mesmo que eu não queira mais te atender. E se você bater na minha porta, ela estará muito trancada, e se aberta, mostrará uma casa vazia. Seus olhos te ensinarão o que são lágrimas, aquelas que eu te disse que ardiam tanto. O nome do enjoo que você vai sentir é arrependimento, e a falta de fome que virá se chamar tristeza. Então, quando os dias passarem e eu não te ligar, quando nada de bom te acontecer, e ninguém te olhar com meus olhos encantados, você encontrará a famosa solidão. Apartir daí, o que acontecerá, chama-se surpresa. E provavelmente o remédio pra todas essas sensações acima..
É o tal do tempo em que você tanto falava!

domingo, 1 de setembro de 2013

O poder da solidão

  

   
    Desculpe ter exaltado minha voz. Sei que eu não deveria ter culpado a Deus e todo o resto pelas minhas fraquezas, pelos meus tombos, pelas minhas recaídas. Mas é que esses cincos últimos anos da minha vida não têm sido muito fácil. E sem você tem dificultado cada vez mais. Sei que ninguém é obrigado a se preocupar comigo sempre, sei que ninguém é obrigado a me salvar toda vez que eu me desconectar dessa vida, sei que ninguém é obrigado a me fazer feliz, sei que ninguém é obrigado a me escutar quando eu chamo. Mas é que eu tenho estado tão sozinho, tão desconectado… Espero não ser o único. Será que eu sou o único dentre milhões? Será que tem alguém nessa mesma situação que eu? Será que alguém canta esperando alguém seguir a canção? Será que alguém abre a janela esperando a luz chegar à sua face? Será que alguém caminha com medo da sua estrada dar a um beco sem saída? Será que alguém sai na chuva para se sentir vivo pelo menos uma vez na sua vida? E tem mais alguém que aprendeu a calar a boca e guardar as coisas que têm a dizer? Há tantas coisas que eu passei e ninguém soube, ninguém viu. Eu estava pra baixo. Eu estava desacreditado desse velho mundo cujas pessoas eram hipócritas ao ponto de acreditarem no seu próprio vazio e acharem que conhecem os pensamentos dos outros. E só você conhecia o meu. Só você me conhecia tão bem. Melhor do que eu mesmo. Apesar da vida ter me emprestado você por tão pouco tempo, essas palavras de desabafo a você me salvaram desse colapso interno. Essas palavras cortaram o fio que mantivera ligada a bomba dentro de mim. Essas palavras são nossos desabafos, que foram sussurradas ao vento e levadas para todos que pararam para nos escutar e seguidas por todos que se afogaram no nosso mar.

Carlos Neto