domingo, 1 de setembro de 2013
O poder da solidão
Desculpe ter exaltado minha voz. Sei que eu não deveria ter culpado a Deus e todo o resto pelas minhas fraquezas, pelos meus tombos, pelas minhas recaídas. Mas é que esses cincos últimos anos da minha vida não têm sido muito fácil. E sem você tem dificultado cada vez mais. Sei que ninguém é obrigado a se preocupar comigo sempre, sei que ninguém é obrigado a me salvar toda vez que eu me desconectar dessa vida, sei que ninguém é obrigado a me fazer feliz, sei que ninguém é obrigado a me escutar quando eu chamo. Mas é que eu tenho estado tão sozinho, tão desconectado… Espero não ser o único. Será que eu sou o único dentre milhões? Será que tem alguém nessa mesma situação que eu? Será que alguém canta esperando alguém seguir a canção? Será que alguém abre a janela esperando a luz chegar à sua face? Será que alguém caminha com medo da sua estrada dar a um beco sem saída? Será que alguém sai na chuva para se sentir vivo pelo menos uma vez na sua vida? E tem mais alguém que aprendeu a calar a boca e guardar as coisas que têm a dizer? Há tantas coisas que eu passei e ninguém soube, ninguém viu. Eu estava pra baixo. Eu estava desacreditado desse velho mundo cujas pessoas eram hipócritas ao ponto de acreditarem no seu próprio vazio e acharem que conhecem os pensamentos dos outros. E só você conhecia o meu. Só você me conhecia tão bem. Melhor do que eu mesmo. Apesar da vida ter me emprestado você por tão pouco tempo, essas palavras de desabafo a você me salvaram desse colapso interno. Essas palavras cortaram o fio que mantivera ligada a bomba dentro de mim. Essas palavras são nossos desabafos, que foram sussurradas ao vento e levadas para todos que pararam para nos escutar e seguidas por todos que se afogaram no nosso mar.
Carlos Neto
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário